Abrigo de Idéias: Aqui suas idéias serão abrigadas com carinho!

Frases e Poesias (ordem alfabética pelo nome do autor)

Ana Lídia Pereira

Entre morros e montanhas

Não há limites, nem distância, nem barreiras.

O tempo é meu inimigo, meu aliado é o amor.

Você é meu cúmplice.

Tudo é prazer, mas meu prazer é vc!


TECNOMAGIA - Antonio Marcos Roseira

UMA IMAGEM PAIRA NUM INSTANTE DE REFLEXOS

MARCADA POR UMA PSEUDO-REALIDADE

MOVIDA POR UMA FUGACIDADE VERTIGINOSA

ACOMPANHADA DA INCERTEZA DOS DEVIRES

APRESENTA O FORMATO DE UMA FUMAÇA

MATIZANDO CLAUSTROFOBICAMENTE DO METÁLICO AO NEGRO

POSSUINDO NA TAL DE TELE-VELOCIDADE

O PODER DO OBSCURANTISMO

EM SEU LIMBO, VIVEM SERES SEM BOCA...SORRINDO

GERALMENTE EM ÁRVORES DE FORMAS RETAS,

SEM FOLHAS, GALHOS OU FRUTOS...

E TÃO VIVA QUANTO UMA ROCHA!

DA DITA IMAGEM, ELES USUALMENTE SE ALIMENTAM

APARENTEMENTE EM PRATOS QUADRADOS, POSTOS NA HORIZONTAL

TENDO EM SEU FUNDO MILHARES DE CORES...

...RAPTADAS DAS CORES DO MUNDO

DE UM MUNDO QUE DE ONTEM EM DIANTE

FUNCIONA COMO ALICERCE

BASE DE UMA LOUCURA MATERIALISATA

EM ANDAR COM OS OLHOS, NUM CHÃO DE DEVANEIO


ALGO - Cláudio Melim


I
Quero escrever algo

Quero viver algo

Quero sentir algo

Descrever as impressões que percebo

Do ambíguo de minha existência

Sem rima ou métrica – sem cobranças estéticas ou lingüísticas

Apenas eu e minha metáfora solitária

Voz que se faz ora lúcida ora difusa nos corredores - por vezes labirintos - de minh’alma

Quero um poema apenas simples, apenas descomprometido

Um poema descuidado

Que ninguém leia, que ninguém queira, que ninguém compartilhe comigo

Apenas eu e meu poema vago

Algo impreciso

Exatamente como este estranho torpor que me toma.

Que sussurra em meus ouvidos a delicada e sutil brisa das manhãs de primavera

Brisa suave que fala-me de uma Paz desconhecida e misteriosa

Que sinto agora

Que não sei explicar.

II
Rondou-me esta manhã tal qual um espectro

Mesmo antes de abrir os olhos

Mesmo antes de saber qual dos mundos recebia meu despertar.

Rondou-me à tarde quando avistava, imerso em minhas reflexões,

o esconder apressado e pontual dos últimos raios de sol

demarcando o que seria o início de mais uma noite encantada.

Está comigo agora, neste momento

Estamos – apenas nós – apenas sós

Eu, a Noite e a misteriosa Paz

Mergulhados na escuridão do sem fim

Perdidos num interminável e inebriante torpor.

Olho para o infinito do cosmo e tento, no turbilhão de estrelas cintilantes

Que se descortinam diante meus olhos cheios de lágrimas secas

Desviar meus pensamentos

Temo pensar

E ter que confessar a mim mesmo nunca ter sentido semelhante inquietação

Esta Paz estranha e misteriosa assombra meu espírito com sua delicadeza brutal.

Assalta meus sentidos e deixa-me embevecido.

Tal qual a embriagues do mais puro cálice de vinho, transmuta-me

Homem maduro que sou

Ao adolescente bêbado do melhor destilado da vida.

Essa Paz trouxe-me o sabor amargo e ingênuo do doce néctar da existência.

Quero escrever algo

Quero viver algo

Quero sentir algo

Mas temo

Temo não ter mais o que escrever

Temo não ter mais o que viver

Temo não ter mais o que sentir

Além dessa estranha e misteriosa Paz, espiral mágica que envolve minha essência

Que assalta-me, neste instante, a alma surpresa e atemorizada.

O que é você Paz silenciosa

Que tenta roubar minha sobriedade racional e fria ?

Que tenta banir para longe minha independência e liberdade ?

III
Quero-te distante de meus sentidos Paz maravilhosa

Quero de volta os sentidos da vida que haviam antes de ti, antes do amanhecer
Quero novamente minha existência,

Algo assim :

Híbrido de razão e contra-senso,

Vida, morte e paixão.


ESTILO - Cláudio Melim

Um Estilo, qualquer Estilo

De viver, de criar, de morrer

Que seja qual Estilo for

O meu, o teu, o nosso

E porque não ?

Dizer talvez, quem sabe,

(Estilo) de liberdade

E porque sim ?

Sim !

É a verdade

Este Estilo

É a minha liberdade

Mas, qual afinal

É o estilo mais correto?

Não sei !

Ninguém sabe

Porque (Estilo) nasce sempre

E se renova a cada momento.

Esse é o Estilo de todos os estilos

De viver, de criar, de morrer

Estilo, enfim, de sonhar ...

sempre !

Sem hostilizar

O meu, o seu, o nosso Estilo

Apenas estilizando ...

A vida.


AGONIA DO AMOR ASCÉTICO - Coelho de Moraes

Do sabor de uma
ou outra contingência
Do perigo, medo
Da mágoa, medo
Do abandono, medo
As angústias lá estão
como um veneno preparado
móveis e lâmpadas estúpidas
Onde se aquecer não havendo
como Sócrates
o frio da cicuta escorrendo pelo vidro?
o crivo da escuta surtindo
o efeito da pura angústia?
E se eu fizer uma promessa?

O aniquilamento já foi
já ocorreu
Desse aniquilamento, o medo
agora me ocorre
e eu não percebo que ele já foi
A angústia do amor
de um luto que já ocorreu, o medo

Anulemos a amada
com o próprio peso do amor
Objeto grotesco colado no centro do palco
por minha culpa
O meu desejo transferido
para a imagem que parece empalhada
de tão medíocre
A amado, sempiterna, como um agente
Para que eu ame o meu desejo transferido
nada mais
mudo meus modos para que a amada me note
Ascendo a outros planos
já que sou culpado
que venha, então, a punição febril
Corto o cabelo
Uso lentes escuras forjando a reclusão
Estudo a ciência arcaica e inútil
Será forma de punição
excluir a mim mesmo do convívio?
Serei mais amado?
Serei mais digno?
Meu sofrimento será notado?
Sentirão pena de mim?
O luto histérico
que me imponho
será um doce martírio
será um retiro doce
paciente, triste, digno
como convém
O luto que suponho histericamente
um retiro necessário
de bom funcionamento
patético... discreto... pálido

Veleidades!
A vaidade no sofrimento
sofrimento de amor
-veja o que você faz de mim!-
ergo diante de você
a figura do meu desaparecimento

veja como sumo...



A ALVORADA DO MUNDO DE AÇO - Coelho de Moraes

Acorda manhã-luz se entra em mim em olhos abertos
Se se fala de seu cansaço matutino cálido
Opacos destinos
Deixa que eu sofra como o herói de Goethe
mesmo que eu esteja cansado e queira dormir
Deixa eu dormir e esquecer o cansaço e a dor
Deixa a dor

Acorda noite-luz e sai de meu peito sem trevas fechadas
Se se desgasta tanto quanto o corpo físico é que chove
e se chove deixa fluir essa água da vida
Diz alguém que tanto sofria mas lutava todo dia
todo dia trabalhando na farmácia da esquina

Imagens do ser amado que de noite eu dormia bem
Durmo antes de morrer?
Branco despertar do dia-luz entrando pelas frestas
Morrer da dor ou morrer do dia é questão de espera.

Mas nada disso é muito real
O sentimento de ausência punge
e o telefonema é uma angústia moderna
cuja familiaridade me comove
como os telhados cinzentos
Os ruídos grisados
os caules cinéreos da fogueira apagada
sideral imensidão de mundo
o aço duro cortante das vertentes
mas nada disso é real
Periga ser um sonho nefasto
Nada mais

Em cada natureza habita uma mulher que amo
O cimento cobre o passo de quem ainda não chegou
Folheio o álbum e a natureza me chama
Minha indiferença é pouca
Perto da pintura de cinzas e degradés
num restaurante repleto o glacial me toma
e as risadas e olhadelas
só servem para domar meu espírito
que quer voar no pescoço do sujeito corpulento
que segura meu braço
é o garçon
Que sopa fria!

Uma capa de irreal me cai
cheia de pó
dos lustres sem lâmpadas
A tarde se aproxima e as sombras me guarnecem
Nem quero mais sofrer
Já basta a nata do leite
e esse cartaz que leio o tempo todo
enquanto espero
embaçado atrás da vidraça
a cara do palhaço faz caretas e micagens
banca o besta e eu sinto frio

Você virá?
Não é mais manhã
Já acordei
Mas você virá?
O mundo rola na rua
e eu não façoo falta alguma
O mundo brinca de existência
como se eu o visse por dentro de um aquário
só não vejo a água
o mundo é cinza e está em outro universo
talvez pluriverso
talvez tantos e cinzas e sujos que eu nada sei...
Você virá?

Estou na exatidão
Imerso em mim
Concluído a meu favor
Logo me desvaneço
De mim sumi em fuga
Essa miniatura envernizada de natureza
Não é mais que um ponto sujo na lama do acaso
E dela só vejo o perfil solto no espaço
Mas
Que mundo maravilhoso
É manhã-luz e o sol aquece
Vejo você na calçada



ARMADILHA - Coelho De Moraes

A figura do encontro
Tempo feliz depois do primeiro rapto
antes do dia a dia
do casamento

Poeira de figuras agitadas
Ordem imprevisível como a mosca que voa
Movimento organizado
Captura da imagem
Exploração extasiada da amada
A doçura do começo
O tempo do namoro
Embaraços e armadilhas
onde me encontro preso
sem trégua
sob a ameaça da decadência

Ao ser preso nessa doçura
qualquer pedrada é suave
Sou um jogador cuja sorte se confirma
no constante quebra-cabeça da felicidade
Eu
enamorado
capturado sob o céu das vermelhidões do poente
emerjo das vertigens de um acaso sobrenatural
O amor depende dos dados
dos vinhos
e de Dionísio

O gozo narrativo
Da boca saem os prazeres
Um saber da história do outro
a amada contando seus gostos
daí eu pulo e flano
leve como o ar
estou livre para me manter na prisão



AUSÊNCIAS - Coelho De Moraes

Por qualquer causa ou duração
a ausência da amada
sugere prova de abandono

Melodias e canções
da ausência amorosa
fazem o peito romper

Viver em eterno estado de partida
mostra a vocação do migrador
eu, que sofro, sedentário
sou deixado de lado como um embrulho qualquer

A mulher dá forma à ausência
ela tece e canta
ela espera e dormita
na sombra do tear
O homem deve saber se alimentar
enquanto espera
de outras coisas
de outras bocas e manjares
de outros lábios doces e salgados
esquecendo excessos e cansaços
O homem é o voraz navegador

O esquecimento pode ser
a ausência bem suportada
pode ser
Momentaneamente infiel
é condição da sobrevivência
pode ser
Suspirar depois de cada sopro incompleto
Respirar depois de cada beijo em si repleto
Gozar os benefícios da imediata lembrança
pode ser

O abraço que funde imagens
de dois se torna um
e eu abandonado me torno
uma imagem descolada
amarela e seca
O presente insustentável
me bloqueia entre dois tempos
dois simples pedaços de angústia
vagueando nas bordas de um tempo
em vai e vem
abrindo o palco da linguagem
e a linguagem - é sabido - nasce da ausência
cria-se aí uma ficção
cria-se aí a obstinação por múltiplos papéis
e o beijo se manifesta
lanhado de suor e esperas

Se não chorar a ausência
o luto se encurta
Aprende-se a esquecer
o sentimento de amor
que se abate sobre a carência
Quero ficar à margem
da amabilidade mundana que me espia
Quero a amada convocada em mim
exposta em meu peito que arfa
Invoco sua proteção
para que o amor ausente
não me transforme
em detrito social

Por qualquer causa ou duração
a ausência da amada
sugere prova de abandono


A CADA VEZ DE UM ACASO - Coelho De Moraes

Os prazeres de seu imaginário
como um sopro despojado de sua melodia
um jorro contínuo de imagens e figuras
sem ordem nem lógica
um refluir em narrativas
como o choro e grito das Fúrias

A horizontalidade da fala da amante
passando como um rio perpétuo
exala uma história de amor
que o faz escravo de outra amante
sem clara intenção de moral ou qualquer lição
Amar é estar doente
O mundo lhe deve uma cura

Para desencorajar a intenção do sentido
é necessário uma ordem sem significados
Não se deve construir monstros
no caso
monstros que seriam as virtudes
Uma certa filosofia do amor
Uma certa afirmação de uma alegria crônica
e cômica

O apaixonado é montado de pedaços
Uma criatura de suspiros e lágrimas
partes costuradas, membros alienados
sobras da própria vida
um banquete platônico
onde o homem é uma ponte entre dois mundos

Eu que amo lhe passo a arrogância
dos meus pecados
e em troca eu quero
a juventude de sua pele
a memória de lugares
a inocência do imaginário
o seu vazio ocasional


A CENA - Coelho de Moraes

No doméstico quotidiano
troca recíprocas de discordâncias
Troca ordenada de réplicas
em exercício de um direito
Um nunca você e nem eu
sendo cada um na sua vez
projeta a cena para o sempre interminável
daquilo que forja o casamento

Diálogo?
Não se trata de escutar
mas apenas repartir pedaços de fala
Cada um com seu direito
Cada um falando a seu tempo
Cada um com seu gozo perverso
Inconseqüente
como ter prazer sem o risco dos filhos

A longa carreira das cenas
de coisas agitadas e inúteis
A justa entre os atores amantes
A forma limitada da tragédia arcaica
Enquanto eu falo comigo
e sustento o meu delírio
-a justa de palavras-
como se o próprio ator-louco
se recusasse a ser autor da fala

Um pode estar aborrecido
e ou outro excitado
Um pode expulsar seus demônios pela fala
o outro que atrair o demônio da outra
tentar um abraço
repelir com força
forçar um beijo
estalar um tapa
para que a cena ganhe em ritmo
É preciso um engano qualquer
que cada um se esforça
atraindo o engano para seu campo
É preciso uma decisão
que cada um se impõe
retirando o prévio acordo decidido

É uma cena sem objetos
É uma cena sem perspectivas
Ela só tem de si a origem
Quando se trata de cenas
falamos, os amantes,
por filas de palavras que jorram
que se batem e explodem
na cara de cada um

A fala, o reflexo
a causa impossível
o suplemento
e a voz do Eu que chora
não há nada que pare a cena
O cansaço de alguém
a chegada de alguém
a agressão-tesão expansivos
mas o querer da cena está no silêncio
Nenhum raciocínio é metal durável
Na cena o casal se desfaz
são des-amantes
são des-atores de uma cena ociosa
lembrando o vômito romano
Soltar para retornar mais tarde
Por o dedo na garganta
(excitar-se ao extremo)
e vomitar caudalosamente
( jorro de argumentos ferino)
Traquilamente
voltar a comer

Falar por último
e castrar a fala do outro
A amante, na mudez, será meu sonho
Ser confessor, presidente, juiz
Dar termo à disputa
Nada há na cena que concorra para a verdade
Tudo na cena se baseia em lance de dados
Ganha quem reter o anel na mão
perde quem não ver o lenço atrás de si

Breve você se livrará de mim
o meu gozo, do meu jorro de sêmen
do que é expulso de mim
no mesmo jorro das palavras
Só a morte pode interromper a frase
Recusar a última réplica é recusar a cena
O herói sempre fala no fim


MEU MUNDO EM APUROS - Dario Kuperman

Apuros

Ar puro

Impuro

Imundo

Apuros

Ar puro

Impuro

O mundo

Que Imundo

esse mundo!

Meu mundo

imundo

inundo

em apuros!


POEMA INACABADO - D.Y.H.

Quando desligou, meu mundo parou.

Uma vontade louca de chorar,

mas há tempos as lágrimas secaram.

Um vazio se materializou em mim.

Ouço passos...Quem será?

É a tristeza que chega firme,

pisando forte sobre mim.

Meu erro foi amar demais,

e ser amada de menos.

Hoje só tenho a amargura ao meu lado.

Estou na defensiva,

evitando-o, penso estar me protegendo,

desse medo de me entregar,

e de me perder e sofrer.

A solidão mora em mim,

vizinha de um coração acorrentado.

Tenho vontade de domar essa dor

e seguir em frente.

Mas não há mais estradas à minha frente.

Tudo que vejo é um abismo,

negro e profundo,

me chamando, me chamando...

Para onde ir?

Para trás? Para um passado lamentável?

Para frente? Para um futuro sem futuro?

Se eu ficar parada,

serei atropelada pela vida.

Queria vc aqui,

um colo,

um afago, um abraço.

Tenho necessidade de vc.

Meu amor foi desperezado,

meus sonhos destruídos.

Vc quis me dar um grande amor.

E eu recusei,

dando o troco em quem não mercecia.

E agora?

O que quero?

Não sei.

Quem sou eu?

Não sei.

Não saber foi a solução mais fácil que encontrei....


PROCURO POR UM AMIGO - D.Y.H

Andava triste,

desanimada com minha vida,

desiludida com o mundo.

Um vazio me preenchia,

uma desolação tomava conta de mim,

a escuridão era minha única visão.

Procurava por um amigo,

que me animasse para a vida,

que me desse novas perspectivas sobre o mundo,

que preenchesse meu ser,

que me ajudasse a enfrentar a desolação de minha alma,

que desviasse minha visão para a luz.

Um amigo que pudesse rir comigo, mas que tb compreendesse se eu precisasse chorar.

Um amigo que entendesse que não precisamos concordar em tudo.

Um amigo que soubesse ficar calado e mesmo assim dar conforto à minha alma.

Um amigo que entendesse o que é sinceridade.

Um amigo que tivesse coragem de apontar meus defeitos.

Um amigo que tivesse paciência em me ouvir.

Um amigo que soubesse perdoar meus erros.

Um amigo que não visse em mim a mulher que sou, mas sim o ser humano que sou.

Um amigo que soubesse o verdadeiro sentido da palavra compartilhar.

Um amigo que soubesse entrar e ficar na minha vida discretamente para sempre.

Conheci vc e tenho esperanças de vc seja esse amigo que tanto ansiei.

O que vc me diz, amigo?


Nosso Mundo - Dennys Ramos de Andrade

O mundo é seu!

pense no que vai fazer com ele...


Não chores mais

Não chores por alguém
que não gosta de você,
pois a lágrima é falsa.

Mas e daí?
Você também é...


PINTURA - Edna Maldonado Vejan

Hoje fiz de você

minha paleta de cores.

Resolvi me pintar por dentro. Com as cores do arco-íris

colori meus sentimentos...

De cores quentes

colori minhas emoções...

Pintei de tons bem coloridos

meus desejos, os mais atrevidos.

Minha alma estava borrada;

de cores suaves foi retocada.

Minhas lágrimas, enxugadas

suas marcas, apagadas.

As cores da saudade

já estavam esmaecidas;

deixei sem pintar

para cada lembrança,

as cores realçar...

Você, pintei de branco

para a cada encontro

novas cores lhe pintar.


AURORA - Hideraldo Montenegro

Estar na manhã

ser a manhã

como um sapo, como um saco

como um fato

Ser

plenamente humano

sem rótulos

Apenas ser

como um pássaro

para flutuar leve

na manhã

de um sol interior

e cantar deslumbrado

por despertar deste sono

que é estar acordado



BUSCADOR - Hideraldo Montenegro

Onde reside o desejo

que me corrói

e que me fragiliza?


Onde reside o desejo

que me fragmenta

e me põe asas?


Onde reside o desejo

que me move para cima

ou para baixo

senão neste incompleto conhecimento

de mim mesmo?



CALMARIA - Hideraldo Montenegro



O morto carrega consigo

a sua verdade

É no silêncio que ela jaz

com ele

E nos arrebata, nos amedronta,

nos provoca



Silêncio! O morto está em silêncio



Todos falam baixo

e, o morto mais baixo ainda

Mas, ele continua a falar

Não ouvimos?!

Então o nosso silêncio não foi suficiente



No silêncio do morto

todos morrem um pouco

-Ver o silêncio que foi feito...!



Todos agora, no silêncio,

escutam seus corações

Até que enfim!


CRUZEIRO - Hideraldo Montenegro


O que está além deste mar?

Outro mar? Minha mente?

A verdade? As minhas imagens?

O que está além de mim mesmo?

Deus? A morte? A vida?

O que está além do meu corpo?

Um morto? Um porto?

O que está além deste oceano?

Um outro homem, numa praia,

fazendo as mesmas perguntas?


DESTINO - Hideraldo Montenegro


Deus vai se construindo

todos os dias nos homens

Deus vai se despertando

todas as horas nos homens

Deus vai se abrindo

todos os momentos nos homens

Deus vai se divizinando

todas as existências nos homens

E, os homens vão, todos os dias,

se amedrontando com esta morte diária



ESPELHO - Hideraldo Montenegro



Escrever com água

é permitir a fluidez das idéias

que se somam e modificam

o curso das palavras



Escrever com água

é matar a sede

dos que procuram contemplar-se

a si mesmos



Escrever com água

é se adaptar a todos os recipientes

e refletir o que todos sentem


FAROL - Hideraldo Montenegro

Aquietar a mente

para que os olhos vejam

o que está à sua frente

e dá sinais de vida

e luz

em meio a palavras inúteis,

gestos estancados

e sorrisos presos pelos dentes

Guiar a mim mesmo

dentro deste corpo

para ver além dos acontecimentos

diários

e navegar livre

iluminado

para este porto

de águas tranquilas

que eu sou

permanentemente


INSPIRAÇÃO - Hideraldo Montenegro


A poesia só acontece

quando me deixo

quando me deito

quando me vejo

quando me mexo


PIRATARIA - Hideraldo Montenegro


Meus olhos são aquáticos

Os pensamentos navegam

leves, soltos

Flutuam à deriva

-Tento ancorá-los-

Procuro um porto

onde possa abordá-los


POEMA - Hideraldo Montenegro


A poesia é rima,

palavra e escrima?

A poesia é artifício,

metro e vício?

A poesia é construção,

arquitetura sem paixão?

A poesia é luxo acadêmico,

que evita da pele o edêmico?

A poesia é esqueleto, carne, corpo

ou idéia, mente que sustenta o dorso?



O POMBO - Hideraldo Montenegro



Um homem sentado numa praça

de Curitiba, São Paulo, Recife, Londres...



Aquele homem é o mesmo

em todas as praças do mundo?



Um homem pousa num banco

e seus pensamentos voam igualmente

como o pensamento de todos os homens

sentados numa praça qualquer



Eis um homem pousado voando

pelo mundo



Esse homem é um pombo

Esse homem é a paz



Será por isso que existem praças

para os homens pousarem

e soltarem as suas asas?


APENAS GENTE - Inês Pandeló

Quero perto de mim

Gente de bem querer

Quero perto de mim

Gente que não quer mal

Bom é ter perto

Gente que sabe o quer

Que diz não quando é não

Que diz sim quando é sim

Quero perto de mim

Gente firme em consciência

Gente que não se vende

Gente que sabe o que quer

Quero perto de mim

Gente que faz coisas

Que vive numa boa

Que inventa a alegria

Que constrói seu dia a dia

Que quer ir sempre além

Quero perto de mim

Gente que seja gente

Quero perto de mim

Gente,

Apenas gente.


Leandro Gaseta

Se tudo não vale nada,

É que não é tudo;

Se nada satisfaz,

É que tudo não vale nada;

Se nada vale tudo,

É que falta objetivo;

Se não há objetivo,

Nada vale o que se quer,

Se não há objetivo,

É que estamos querendo demais.

E o futuro não será nada...


SEITA - Lenine de Carvalho

Fundarei um dia,

Minha própria seita.

E a seguirei,

Em paz comigo mesmo

E com as coisas que me cercam...

Será uma seita simples,

Que não apregoará

Verdades absolutas

Mesmo porque elas não existem,

Nem ameaçará ninguém

Com castigos ou arrependimentos eternos,

Porque nada é eterno.

Tampouco se preocupará

Em estabelecer uma linha divisória

Entre o Bem e o Mal,

O Certo e o Errado,

Pois essas são coisas

Sobre as quais

Duas pessoas nunca estarão de acordo...

Minha seita determinará,

Que todos deverão ser felizes,

Que nada será proibido,

Desde que ninguém saia ferido.

E se houver uma lágrima,

Que seja de alegria, ou emoção,

Nunca de tristeza...

Um dia, fundarei uma Seita,

Mesmo que seja eu,

Seu único seguidor!...


POEMA - Lenine de Carvalho

Estou sempre partindo.

E é tão difícil,

Acomodar todos os sonhos

Em nossa bagagem!

Alguns

Sempre ficam para trás.

A vida,

É um pequeno círculo

Que temos que percorrer

Mil vêzes...

E quando chegamos,

De volta,

A um antigo

Ponto de partida,

Encontramos aqueles sonhos

Que haviam ficado para trás.

Tão envelhecidos agora,

Nos dão a medida exata,

Do tempo que passou...

Mas,

O círculo é infinito,

E eu,

Estou sempre de partida...


LONGE - Lenine de Carvalho

Uma pedra

Ao sol,

Numa manhã

Fria,

Em um país

Distante,

É o que

Desejo...

Uma manhã

Distante,

Uma criança

Ao sol,

Sentada sobre

Uma pedra,

Em um país

Frio,

É assim que me recordo,

Às vezes...


ESTE CANTO - Lenine de Carvalho

Este canto!

Ah! Este canto!

Quantos desencontros

Pelos caminhos

Que levam

Até teus ouvidos...

Este canto,

Que quer tanto

Te encontrar!...

Ah! Este canto,

Que às vezes

Cresce, cresce,

Até explodir

Em gritos,

Silenciosos,

De papel!...   


LATA - Paulo Henrique Vigu

Na lata, ponha a palavra AMOR.

Bata todo o resto no liquidificador,

Liquidifique a dor,

Liquide a dor.

A lata aberta,

O amor,

O liquidificador,

O mundo,

A dor...

Poeta gosta mesmo é de pôr tudo no papel.


PRECISÃO - Rodrigo Bentes Diniz

Acho frio, quando muito, quente sinto.

Acho feio, quando muito, bonito imagino.

Acho triste, quando muito, alegre percebo.

Acho baixo, quando muito, alto vejo.

Acho bom, quando muito, mau convivo.

Acho pesado, quando muito, leve carrego.

Conclusão:

Acho pouco, quando muito, tenho fácil.


SEM ESCOLHA - Rodrigo Bentes Diniz

A fome se mata, para não se morrer.

O sono se acorda, para não se dormir.

A verdade se diz, para não se omitir.

O amor se sente, para não se trair.

A liberdade se conscientiza, para não se perder.

O saber se aprende, para não se iludir.

A profissão se exerce, para não se vadiar.

O respeito se merece, para não se explorar.


DECLARAÇÃO - Rodrigo Fideles Rodrigues

Meus olhos queriam mulheres vividas

Meu coração quis menina inocente

Meus olhos queriam olhares sedutores e atraentes

Meu coração quis olhares simples e inocentes

Meus olhos queriam cabelos curtos e tingidos

Meu corção quis cabelos longos e enrolados

Meus olhos quiseram esquecer

Meu coração ensiste em sofrer


Voltar